Um caderno de leituras & devaneios
Ela, só dela
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domingo, 17 de julho de 2022

Vulnerabilidade

O ano é 2022 e estamos vivendo uma era de frieza cultuada. Ao longo da existência desse blog, ao longo dos anos, quem me acompanha podia reparar que sempre postava sobre amor, poesia e tudo que envolve o amor... ah, o amor!

Eu sempre sonhei e como toda menina, acreditava no amor. De criança, adolescente, sempre gostei de poesia, ouvir Djavan, Ana Carolina. Eram as músicas que ouvia nos meus 13, 14 anos e achava tão lindo alguém amar daquele jeito e sonhava em poder sentir aquilo alguma vez...

Hoje, as meninas com 13, 14 anos escutam funk com letras vulgares, com danças vulgares e cultuam aqueles que enganam mais. O amor hoje é sinônimo de fraqueza, é algo evitado como algo ruim.

E eu, ao longo desses anos fui mudando. De acreditar no amor, passei a frieza. Passei a fazer parte dessa turma que evita e não acredita o amor. Eu vi e vivi muitas coisas que me fizeram perder a fé no ser humano, como se todos fossem iguais, coloquei todos no mesmo patamar de maldade, manipulação e ego e me tornei semelhante a eles.

Eu me decepcionei com homens, já acreditei e fui duramente enganada, e com isso, quis estar do outro lado do jogo. Quis ser a pessoa que dita as regras e manipula, só pelo prazer de ter poder! Pelo prazer de vingar a quem aquele ser pudesse ter algum dia manipulado. 

Hoje, estou com 34 anos... faço 35 no próximo mês e hoje refletindo, eu vejo que nunca encontrei o tal amor que queria tanto sentir na minha adolescência. Eu já jurei sentí-lo inúmeras vezes, mas hoje a maturidade me permite ver que não era amor... o amor é muito mais. O amor fica, apesar de tudo, o amor perdoa, o amor quer o bem do outro, o amor não é egoísta, ele é doação e isso, eu nunca senti. Sempre que alguma situação fosse muito difícil, a decisão era ir embora. Sempre fui eu quem foi embora.

Mas será que era amor e eu perdi? Acredito que não! Mas será que o amor existe mesmo? Essa coisa de saber quando acontecer, de ser fácil e simples como alguns resistentes da era do amor ainda falam que é. Sera?

Eu gosto do poder, da armadura que essa frieza traz. Eu amo não me sentir vulnerável, aliás é horrível se sentir vulnerável, fraco, suscetível a alguém e por muitos anos eu evitei isso e ainda evito! 

Mas por outro lado, eu vejo que ainda existe aquela menina que ama só porque é amor. Que ama com naturalidade, mas ela está presa em algum lugar e às vezes, a tristeza dela é tão grande que ela consegue ganhar voz e vencer da frieza e aí, acontece o que está acontecendo hoje... lágrimas, vazio, solidão, uma vontade enorme de ser de alguém, de ser cuidada, amada e protegida. De ter um amor simples e que seja recíproco. 

Deve ser lindo amar e ser amado na mesma medida...

Bom, não sei quem vai ganhar a batalha, mas se mantiver a frieza no comando, nunca darei chance ao amor, porque pra podermos amar, temos que arriscar, se deixar ser vulnerável, coisa que a Frozen não deixa. (risos).

Tenho tanta vontade de falar absolutamente tudo que sinto quando estou apaixonada, tanta vontade de fazer como fazia quando era menina, de escrever cartas, me declarar sem medo, simplesmente demonstrar sem filtro tudo que se passa nesse coração. Mas, infelizmente na vida de adulto aprendemos que não podemos ser assim. Que o efeito de se declarar é afastar a pessoa que gostamos. Mas aí eu penso, que ou a pessoa está na mesma situação que eu de sentir e ter medo de demonstrar. Ou a pessoa não sente o mesmo por mim.. e aí nesse caso, o melhor seria eu simplesmente ir embora... de novo.

O problema disso tudo é  que eu nunca saberia, porque as pessoas não são francas. As pessoas falam o que você quer ouvir, as pessoas manipulam. E aí você acaba tendo que aprender a desenvolver uma capacidade de ler as pessoas, de decifrá-las. E isso é cansativo e frustrante, porque tudo que se quer, é que a intensidade do sentimento seja recíproca, que a vontade de viver seja a mesma. E o fato de que no outro lado não ocorre assim, já tira a energia pra tentar e ficar...

E é por essas e outras, que quando eu acho que vou soltar a mocinha da prisão, quando meu coração amolece, eu percebo que amoleceu pela pessoa com mais habilidade do que eu em manipular, com um coração endurecido e aí eu coloco mais uma camada de gelo no meu coração e volto a fazer parte da turma que não acredita no amor e cultua a frieza como uma qualidade.

E fim...  

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